 Variando,
naturalmente, de norte para sul, consoante a influência
da típica arquitectura do interior do Alentejo
e da costa sul algarvia, a construção
tradicional do Sudoeste mantém uma
linha mestra ao longo de todo o território.
A edificação dispersa caracterizada
pelos típicos “montes”, construídos
em taipa e pintados de branco são os traços
comuns a esta região.
A
localização destes
“montes”, criteriosamente escolhida,
domina, muitas vezes a paisagem circundante, evitando
a exposição aos ventos dominantes
e à maior incidência dos raios solares.
Por isso, a entrada e os espaços exteriores
de convívio, são normalmente orientados
a sul e a nascente.
A
altura das construções
é normalmente baixa, “agarrada”
ao terreno, estendendo-se longitudinalmente, em
um ou mais volumes que criam espaços exteriores
semi-privados e resguardados dos ventos de norte
(“nortada”) característicos da
região.
Os
elementos arquitectónicos
são de extrema simplicidade e de visível
razão utilitária: as barras de cor
na base, em torno das portas e janelas, as grelhas
de tijolo de arejamento caiadas, os poiais, os contrafortes
(ou “moirões”), as latadas, os
fornos do pão, a calçada de pedra
junto às entradas e os alegretes, pequenos
canteiros murados que delimitam o espaço
exterior próximo. A telha mais comum é
a telha canuda ou a telha mourisca, e os tectos
são tipicamente forrados com cana. As casas
vicentinas, mais a sul, diferem sobretudo na ausência
das barras de cor típicas do Alentejo, e
nas chaminés menos dominantes. A simplicidade
e o branco da cal são, assim, as características
dominantes.
A
construção em taipa
tem evidentes vantagens a nível de isolamento
e representa uma opção de ecológica
de grande importância. O processo
de construção em taipa consiste em
calcar com o maço dentro de uma cofragem
de madeira (taipal) a terra argilosa, apenas húmida,
misturada com talisca, tirada do local onde se vai
construir a casa. Deslocando horizontalmente o taipal
vai-se construindo uma fiada de blocos de taipa,
preenchendo as juntas com cal. Terminada a fiada,
com cerca de 50 cm de altura, passa-se à
fiada seguinte, também demarcada da inferior
pela cal. As paredes, em média com 50 cm
de espessura, apresentam as aberturas indispensáveis
ao acesso, arejamento e iluminação
do interior, evitando a entrada de excesso de calor
no Verão e de frio no Inverno.
Este
tipo de arquitectura é ainda a opção
de muitos proprietários, que reconhecem
as óbvias vantagens das características
arquitectónicas que resistiram ao longo de
séculos. Havendo alguma dificuldade em encontrar
técnicos de construção tradicional,
uma recente expansão da procura de construções
em taipa tem incentivado estes profissionais a investir
numa formação com os poucos mestres
ainda em actividade.
Com
a colaboração da
Arqª Teresa Beirão |