 A
costa sudoeste de Portugal é muito rica em
vestígios arqueológicos, que se estendem
por toda a história e pré-história,
das falésias sobre o oceano aos centros históricos
dos povoados mais a interior. No
Concelho de Vila do Bispo, a sul,
encontra-se um importantíssimo achado de
monumentos megalíticos,
constituído por cerca de 82 menires e um
extenso espólio. A construção
e erecção dos menires estava relacionado
com rituais e cooperação física
e espiritual da população, que se
instalava em zonas junto ao litoral, sem grandes
defesas naturais ou artificiais, o que faz adivinhar
serem pouco hierarquizadas, com uma economia de
cariz comunitária de subsistência.
Na
Ponta do Castelo, situada a poucos
quilómetros da Carrapateira, escavações
recentes puseram a descoberto estruturas de um assentamento
islâmico de pescadores com vários
compartimentos, lareiras, várias cerâmicas,
anzóis e restos de fauna atribuíveis
aos séculos XII e XIII.
Esta
zona litoral apresenta também uma constituição
fóssil onde abundam corais de vários
tipos, ouriços, conchas de ostras e outros
animais e plantas cujo período atribuído
é o jurássico superior / cretácio,
213/144 milhões de anos. Outros fósseis
são visíveis no local com grande abundância,
numa zona rochosa de origem calcária. Este
vasto local da costa algarvia é constituído
por arribas alcantilhadas onde existiram altos fundos
e onde se desenvolvia uma fauna de menor profundidade
tal como os corais, o que permite concluir que as
águas do oceano seriam bastante mais quentes.
Mais
a norte, na Ponta da Atalaia, em Aljezur, foi recentemente
identificado o Rîbat da Arrifana,
fundado pelo mestre sufi e madi (profeta) Ibn Qasî,
de cerca de 113, e ao qual fazem referência
inúmeros documentos árabes daquela
época. Este convento-fortaleza (rîbat)
muçulmano é o único
conhecido no Ocidente Peninsular e o segundo da
Península Ibérica. Trata-se de uma
edificação complexa, localizada em
alta arriba, sobranceira ao mar, permitindo controlar
uma vasta zona da Costa Sudoeste, entre o Cabo Sardão
e o Cabo de S. Vicente. A paisagem grandiosa que
integra o local é propícia à
contemplação da natureza, à
meditação filosófica e transcendental.
Existe uma intenção de musealizar
este arqueosítio com características
únicas e já intensamente visitado
por turistas nacionais e estrangeiros, podendo vir
a constituir significativo pólo de desenvolvimento
sócio-económico e cultural da região.
Entre
os inúmeros concheiros identificados
junto à orla costeira, foi localizado um
concheiro bastante antigo a leste do Rogil, e outro
na margem direita da ribeira de Odeceixe.
No
litoral mais a norte, nomeadamente em Porto Covo,
Ilha do Pessegueiro e toda a região de Sines,
os achados são muitíssimo interessantes
e distribuídos ao longo das épocas,
pelo que se justifica uma vista ao Museu
Arqueológico de Sines.
Com a colaboração da Associação
de Defesa do Património Histórico
e Arqueológico de Aljezur |