 O
artesanato, na vasta área do território
do Sudoeste, é caracterizado por uma grande
diversidade de actividades que perduraram no tempo
e que se continuam a desenvolver em moldes tradicionais.
Esses saberes, passados de geração
em geração, reflectem um modo de vida,
constituindo um factor importante da identidade
desta região.
A
cestaria, cerâmica, olaria, tecelagem, latoaria,
fabrico e empalhamento de cadeiras, violas campaniças,
miniaturas das actividades locais, fabrico de colheres,
trabalhos em cortiça e abegoaria, são
alguns exemplos da diversidade
de criações, tanto ligadas a actividades
económicas específicas, como à
arte popular.
A
riqueza do património artesanal
está patente na variedade e qualidade das
obras produzidas pelos artesãos, na diversidade
das técnicas e dos materiais que utilizam
e na autenticidade com que integram os modos de
vida e de sentir da população, reflectindo
os usos e costumes locais.
O
extenso concelho de Odemira e a
serra de Monchique serão
as regiões onde as várias actividades
artesanais conhecem maior expressão e reconhecimento,
mas encontra-se sempre um pequeno grupo de artesãos
ao longo de todo o território, nomeadamente
em Aljezur e Vila do Bispo.
Na
região existem uma série de matérias-primas
que são utilizadas pelos artesãos.
O vime e a atabua que crescem à beira dos
ribeiros são utilizados no fabrico de cestos
e no empalhamento de cadeiras.
O fabrico de cadeiras, bem como
outro tipo de mobiliário,
constitui-se como um dos campos artesanais de maior
implementação no território.
Em Monchique, as cadeiras de tesoura
são já um ex-libris da zona, reconhecidas
dentro e fora de Portugal. A trapologia
e a tecelagem são também
actividades desenvolvidas tradicionalmente. Em moldes
mais modernos, e associada à moda actual,
são realizados trabalhos em tecelagem na
vila de Odemira. A construção de violas
campaniças e outros instrumentos
musicais de cordas, a latoaria
- tanto na vertente da produção como
na do restauro - e a abegoaria
- arte de trabalhar a madeira em conjunto com o
ferro - foram outrora artes bastante divulgadas
no concelho de Odemira, mas actualmente contam apenas
com um ou dois artesãos em cada uma das actividades.
A olaria tem a sua representação
em moldes tradicionais na vila de S. Teotónio
e em Monchique, e nesta última vila é
também expressivo o trabalho do cabedal.
Num
âmbito mais moderno a cooperativa
Mancheia (em processo de criação),
em Odemira, trabalha outro tipo de objectos mais
estilizados mantendo, no entanto, a decoração
com aplicação de engobes brancos que
caracterizam a cerâmica local. Esta cooperativa
realiza trabalhos também na área da
tecelagem em artigos ligados à decoração.
A criação da CACO - Associação
de Artesãos do Concelho de Odemira no final
de 2002 e o projecto Mancheia, são demonstrativos
de uma nova dinâmica que
vai despontando no meio artesanal da região.
Paralelamente, também com a fixação
de pessoas de diversas nacionalidades, nos últimos
anos, foi possível assistir à instalação
de novos ofícios, bem como
de novas formas de exploração
das artes tradicionais.
Com
a colaboração de Ana Tendeiro Gonçalves,
CACO - Cooperativa dos Artesão do Concelho
de Odemira
|