 A
faixa costeira do Sudoeste Português é,
indiscutivelmente, uma das áreas de maior relevância
dentro do património natural e paisagístico
do País. A sua elevada diversidade de paisagens
e de biótopos alberga uma avifauna
rica e variada (231 espécies de presença
regular e 39 de presença irregular ou acidental),
da qual cerca de 25 espécies se reproduzem
nas arribas litorais, situando-as entre as mais ricas
da Europa. De salientar a ocorrência das seguintes
espécies, pelas particularidades que alguns
aspectos da sua biologia assumem nesta região:
a) Águia-pesqueira, sendo que o PNSACV corresponde
à última área de nidificação
conhecida no litoral continental sul-europeu;
b) Águia de Bonelli, nidificante em falésias
do litoral, sendo o caso da costa portuguesa o único
actualmente referenciado na Europa;
c) Peneireiro-das-torres, existência de um importante
núcleo de nidificação litoral
pouco comum. Outros falconiformes, como o Falcão-peregrino,
testemunham igualmente esta tendência;
d) Cegonha-branca nidificante das falésias
e ilhotas costeiras.
De referir, ainda, a importância desta região
como um dos corredores outonais mais importantes dos
migrantes trans-saharianos originários da Europa
ocidental, cuja expressão máxima pode
ser observada na zona do Promontorium Sacro. Nas zonas
húmidas, como o Rio Mira, as ribeiras de Aljezur
e Seixe ou o Paúl de Budens, algumas espécies
nidificantes como as garças real e pequena,
o galeirão e alguns passeriformes como o rouxinol-grande-dos-caniços
estão também presentes.
A fauna piscícola do PNSACV
é também muito variada. Na extensa costa
ocorre grande parte da ictiofauna portuguesa. Em termos
bio-geográficos, representa a transição
entre as regiões temperadas frias e quentes
do Hemisfério Norte, com espécies a
terem aqui o limite sul ou Norte de distribuição.
Relativamente aos peixes dulciaquícolas, das
dez espécies existentes, por exemplo, na bacia
hidrográfica do Rio Mira, algumas foram introduzidas
recentemente, como o achigã e o gambuzino.
No role das espécies autóctones, são
comuns a pardelha – um endemismo português
-, o bordalo e o escalo. Dos
mamíferos marinhos, o golfinho,
o roaz-corvineiro e o golfinho riscado são
dos mais observados. Aparecem, por vezes, ao largo
da costa tartarugas marinhas, como a tartaruga-boba.
Em
relação à herpetofauna do PNSACV
(anfíbios e répteis),
salientam-se endemismos ibéricos como a cobra-de-pernas-pentadáctila
e ibero-norte-africanos como a salamandra-de-costas-salientes
e a cobra-cega. A víbora-cornuda é
uma espécie rara que se alimenta eventualmente
de micro-mamíferos, como o rato-de-água
e o rato-de-Cabrera, um ex libris deste Parque Natural.
Os morcegos, que se alimentam maioritariamente de
insectos, podem também ser avistados ao anoitecer.
Entre estes, de destacar o morcego-de-água
e o morcego-de-peluche.
Nos
carnívoros, salienta-se
a ocorrência, ainda que ocasional, do lince-ibérico,
espécie em cenário de pré-extinção
em Portugal. A raposa, ou zorra como lhe chamam
por estas bandas, é provavelmente o carnívoro
mais abundante no Parque Natural fazendo frequentes
incursões aos galinheiros dos agricultores.
Este tipo de comportamento é também
observado no sacarrabos ou escalavardo, dado o seu
carácter generalista em termos alimentares.
No litoral, destaca-se a presença da lontra
em habitat marinho, situação rara
na Europa. Por vezes nas praias, particularmente
nas dunas, mas abrigando-se em matagais adjacentes,
é possível observar a gineta, o texugo
e a fuinha.
Com
a colaboração do PNSACV – Parque
Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
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