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Flora
Na região do sudoeste, pode observar-se uma flora mediterrânica dispersa numa paisagem extensa e muito diversificada. A flora atlântica está também representada, ainda que numa proporção inferior, testemunhando outros climas pretéritos. A natureza litológica e estrutural das rochas existentes e as características climáticas da região têm determinado a evolução dos principais conjuntos geomorfológicos do PNSACV: o Litoral, a Serra e o Barrocal. A flora diverge ao longo destas três grandes áreas.

O planalto litoral, situado entre S. Torpes e a Vila do Bispo, de constituição essencialmente arenosa, representa o território mais extenso e contínuo. É actualmente uma área predominantemente agrícola, tendo existido no passado, grandes zonas cobertas com urzais hidrofíticos e juncais, semelhantes a certas áreas do Minho e Galiza. No grande planalto litoral podemos encontrar notáveis cordões dunares suspensos sobre as arribas marítimas. Este habitat, rico em carbonato de cálcio, suporta uma flora rica onde se incluem algumas espécies endémicas. Alguns destes sistemas dunares evoluíram para dunas fósseis por força de processos químicos e condições climáticas particulares. Estas verdadeiras ilhas terrestres de pedra calcária detêm espécies únicas no mundo, destacando-se as pertencentes aos géneros Aveluna e Chaenorbinum. Além destas, encontram-se também outras que colonizaram num passado próximo estes locais, como é o caso de Orchis e Narcisus.

As serras litorais marginam a oriente o grande planalto conferindo-lhe algumas peculiaridades. Na foz dos grandes barrancos, por exemplo do Rio Mira, Ribeira de Seixe, Ribeira de Aljezur e entre Arrifana e Vila do Bispo, surpreende encontrar tão próximas do mar plantas serranas, ali no limite da sua tolerância ecológica. Nos relevos das Serras do Cercal, Brejeira, Monchique, Espinhaço de Cão mantêm-se ainda presentes interessantes espécies, verdadeiras relíquias de épocas com climas mais húmidos. São particularmente notáveis, as semelhanças entre algumas espécies serranas e as suas congéneres distribuídas pelas serras chuvosas do Sul da Andaluzia e Noroeste do Maghreb. Destacam-se os géneros Centáurea, Senecio, Serratula, Bupleurum, Rhododendron e Quercus. Esta última identidade vegetal manifesta-se também, na vegetação das vertentes com os seus medronhais frondosos.

O barrocal inicia-se na costa de S. Vicente estendendo-se para Leste, numa sucessão de pequenas colinas calcárias ocupadas por uma flora mediterrânica típica de solos ricos.

O ponto de intersecção do barrocal com o grande planalto litoral e as serras litorais é, simultaneamente, o ponto de encontro da costa ocidental nebulosa e fresca com a costa meridional luminosa e quente. Todas estas componentes se combinam no planalto de Sagres. Aqui estão, também, representados alguns elementos comuns à distante flora do Mediterrâneo, destacando-se os pertencentes aos géneros Viola, Helianthemum, Succowia e Ulex. Para estas espécies o planalto de Sagres e a sua costa são o seu único reduto em Portugal e revelam o carácter excepcional deste território.

Com a colaboração do PNSACV – Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
 
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