 Os
vestígios materiais da presença humana
no Sudoeste remontam à Pré-história.
Sinais abundantes da actividade de pescadores e mariscadores,
como os instrumentos líticos designados por
“mirenses”, de há mais de 10 mil
anos, e “concheiros”, de cerca de 8 mil
anos, ocorrem por toda a costa. Mas foi o período
neolítico que, na zona do Cabo de
S. Vicente, deixou talvez o mais imponente conjunto
de vestígios de toda a região: inúmeros
menires, que fazem do Cabo e imediações
uma dos mais importantes áreas do magalitismo
português. Também a proto-história
está representada, por exemplo em Odemira e
Aljezur (épocas do Bronze e do Ferro).
Mas
são naturalmente os edifícios militares
e religiosos, mais recentes, que constituem hoje
o conjunto patrimonial mais visível, para
além naturalmente de elementos da arquitectura
civil, nomeadamente a popular, ainda existente um
pouco por todo o lado. O único castelo
medieval encontra-se em Aljezur. Entre
os fortes costeiros, edificados
para fazer frente a ataques vindos do mar, especialmente
da parte dos corsários norte-africanos, destacam-se,
de norte para sul: o forte de Milfontes, junto ao
estuário do Mira, construído em final
do século XVI/princípio do XVII; o
forte da Arrifana, de que existe apenas um pequeno
troço de parede, construído em 1635,
para dar protecção à armação
de pesca que costumava instalar-se no local; o forte
da Carrapateira, edificado em 1673, para defender
a martirizada povoação; o forte de
S. Vicente, noticiado em princípio do século
XVI, abrigando um convento e um farol; o forte de
Belixe, edificado no século XVI e reedificado
em 1632, com a função de controlar
um possível desembarque e proteger a almadrava
do atum que ali era montada; a fortaleza
de Sagres, sede de uma Praça militar,
cuja primitiva construção poderá
datar do século XV, sendo as muralhas que
hoje vemos de finais do século XVIII; finalmente,
o pequeno forte da Baleeira, talvez do século
XVI, com a função de proteger o desembarcadouro
e a armação de pesca. A grande fortaleza
de Sagres justifica-se pela posição
geográfica do Cabo. Já na Antiguidade,
quando a navegação proveniente do
Mediterrâneo chegava ao Atlântico aberto,
o Promontorium Sacrum significava a entrada num
mar e num mundo diferentes. Com o desenvolvimento
da moderna navegação, nos séculos
XV e XVI, este lugar estratégico ganhou nova
importância.
No
que respeita ao património religioso,
encontramos igrejas e ermidas mais
ou menos interessantes em todas as povoações.
Em Odemira, subsistem as duas matrizes, uma delas
ainda com interessantes retábulos barrocos,
bem como a ermida de Nossa Senhora da Piedade, recente,
mas evocadora de antigo santuário mariano.
No interior deste concelho, interessantes templos
em Relíquias, Colos, Vale de Santiago, Sabóia,
Santa Clara, S. Martinho das Amoreiras. Em Santa
Clara, ainda, ruínas de velha ponte sobre
o Mira, de início do século XIX. Em
Aljezur, destaca-se a igreja da Misericórdia,
de fachada renascentista, e sobretudo a sua matriz,
neoclássica, com alguns exemplares retabulares
mais antigos vindos do extinto convento de Nossa
Senhora do desterro de Monchique, igreja mandada
edificar pelo bispo D. Francisco Gomes do Avelar,
para dar início a um novo conjunto urbanístico
destinado a substituir a velha vila medieval. Mais
a sul, Bordeira, ostenta um pequeno portal manuelino,
na porta do cemitério anexo e, no interior,
um revestimento de talha dourada e pintada, setecentista.
A seguir, Carrapateira, com a sua igrejinha de portais
manuelinos, no interior de um recinto fortificado.
Para o interior, subindo à serra de Monchique,
encontra-se a vila de Monchique, também com
um templo com elementos manuelinos, e reminiscências
do seu passado termal. Em Vila do Bispo, distingue-se
a matriz, monumento nacional, que ostenta um interessante
interior, em boa parte barroco, já no revestimento
azulejar das paredes, já nos retábulos
dos seus altares. Na freguesia da Raposeira, a ermida
gótica de Nossa Senhora de Guadalupe é
um templo de características extraordinárias
na região.
Com
a colaboração do historiador Dr.
António Martins Quaresma
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