 A
paisagem do Sudoeste é uma das mais preservadas
da Europa onde a presença humana menos se fez
sentir ao longo da sua história: território
pouco povoado, sem indústrias e uma agricultura
que pouco modificou os ecossistemas originais.
Das
descrições que nos chegaram de séculos
anteriores podemos perceber que a baixa
densidade populacional do território levava
os que por aqui passavam ou residiam a considerar
o espaço que estava para além, sãs
vilas um longo ermo, só muito ocasionalmente,
aqui e acolá, ocupado por vales encaixados,
formados pelos rios ou ribeiras e ás pequenas
hortas familiares dos que viviam na serra e se dedicavam
à pastorícia e exploração
da cortiça. Toda a faixa litoral caracterizava-se
pela ausência da marca humana na paisagem,
com excepção das terras que confinavam
com as principais povoações. As povoações
piscatórias eram diminutas e a pesca era
uma actividade complementar à agricultura.
Os pescadores eram homens dos campos que aproveitavam
a proximidade do mar para obterem mais algum sustento.
Era este panorama, de uma paisagem natural, quase
intocada e de um povoamento escasso, que o visitante
encontrava até finais do século passado.
Contudo,
desde então e até meados deste
século, a população
foi aumentando sempre e as terras da charneca começaram
a ser exploradas mais extensa e intensivamente.
Porém, as condições naturais
que se ofereceriam à agricultura, o regime
de propriedade e os produtos cultivados não
possibilitaram a absorção da mão-de-obra
disponível na região. Nos anos sessenta
assistimos ao primeiro grande surto migratório.
Simultaneamente iniciava-se a construção
dos canais de irrigação do Mira, plantavam-se
pinheiros como cortinas de abrigo dos ventos marítimos
e criavam-se condições para uma profunda
alteração na paisagem agrícola.
Apesar disso, a população decresceu.
Só
nos anos oitenta nasce um novo
factor potencializador de mudança da paisagem,
o turismo. Foi essencialmente sobre as povoações
do litoral que as grandes mudanças se fizeram
sentir. Povoações, até então
marcadas por um relativo isolamento transformaram-se
em centros de grande afluência turística.
Em finais dos anos oitenta, era criada a Área
de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa
Vicentina e surgiam os primeiros grandes investimentos
estrangeiros na agricultura que se têm prolongado
até aos nossos dias.
Com
a colaboração do PNSACV – Parque
Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
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