 De
S. Torpes até ao Burgau, entre as altas arribas
que caracterizam a costa, encontram-se alguns portos
piscatórios. De norte para sul são:
Porto Covo; Vila Nova de Milfontes (com o seu porto
fluvial na foz do rio Mira e o Porto das Barcas ou
Portinho do Canal, a norte da foz do rio); Lapa das
Pombas, em Almograve; Entrada das Barcas, na Zambujeira
do Mar; Azenha do Mar; Arrifana; Zimbreirinha e Forno,
na Carrapateira; Sagres; Salema e por último,
Burgau.
Com
a excepção de Sagres, todos estes
portos de pesca partilham duas características
essenciais à sua definição:
são todos pequenos portos
que aproveitam os abrigos oferecidos pela natureza
e em todos eles, praticam-se formas artesanais
de pesca. Contudo, neles, mais de mil homens
fazem da pesca o seu principal meio de subsistência.
Todos os portinhos de pesca do Sudoeste são
de extraordinária beleza e merecem uma visita
atenta. A sua situação geográfica,
entre as altas arribas cobertas pela vegetação
autóctone e banhadas pelo verde-esmeralda
do mar, com os seus pequenos barcos coloridos e
as suas gentes sempre disponíveis para uma
boa conversa constituem um ponto de paragem
obrigatório. Alguns deles encerram
características que os tornam especiais aos
olhos dos visitantes. Por exemplo, o portinho das
“Lapas das Pombas” no Almograve, com
a sua escassa meia-dúzia de barcos e o caminho
que lhe dá acesso como única intervenção
humana sobre as falésias, revelam os aspectos
mais artesanais da pesca e as situações
de risco e solidão que os pescadores enfrentam.
Mais a sul, depois da Zambujeira do Mar, no portinho
da Azenha do Mar encontra-se toda uma povoação
voltada para o mar e o trabalho que nele se efectua.
Na Arrifana, a altura das majestosas falésias
que rodeiam o portinho fazem dele, porventura, o
mais impressionante dos portinhos do Sudoeste. A
caminho de Sagres, junto à povoação
da Carrapateira, no abrigo da Zimbreirinha, os pescadores
encontraram uma inverosímil forma para “fundearem”
os barcos: pouco acima das ondas, nas paredes verticais
da falésia, construíram plataformas
com madeira e canas onde com a ajuda de um guincho,
colocam os barcos.
Os
pescadores fazem-se ao mar em pequenos
barcos de quatro, seis metros de comprimento, com
motores fora-de-bordo e alguns instrumentos de orientação
e sonda. Costumam formar companhas de dois elementos
e levam ao mar artes de pesca tradicionais como
os covos, o aparelho de anzol ou a rede de amalhar.
Trazem desde o Polvo à Lagosta, passando
pela característica Moreia e pelo Sargo fazendo
desta costa um dos locais de eleição
dos apreciadores de bom peixe e marisco.
Com
a colaboração do PNSACV – Parque
Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina |