 Nos
costumes e tradições das gentes do Sudoeste
permanecem os sinais de uma ruralidade marcada pelas
estações do ano e pelo calendário
das culturas. A Páscoa anuncia
a fertilidade dos campos, com as trocas de folares
entre vizinhos e o almoço pascal em família,
com cabrito ou borrego assado na mesa.
Em
Março a serra é rainha com a feira
dos enchidos tradicionais de Monchique,
tempo de romaria de todo o Algarve e sul-alentejo
a provar a riqueza da gastronomia serrana.
No
1º de Maio vai-se “desmaiar”
para o campo, isto é, fazer piqueniques para
festejar a Primavera e espantar os fantasmas do
Inverno, onde não falta o incontornável
Bolo de Maio. É também nesta data
que pontuam as já famosas as Festas
de Maio nas Amoreiras-Gare, as mais importantes
do interior do concelho de Odemira.
Quando
chega Junho, os Santos Populares
dão o mote para os mastros
e para a disputa pelo título de melhor baile,
de mastro mais animado ou de marcha mais bonita.
Em S. Teotónio, de dois
em dois anos, revive-se essa emoção
no meio de ruas profusamente enfeitadas com adereços
de papel colorido.
Até
ao final do Verão, as festas e romarias
em que se misturam o religioso e o pagão,
correspondem ao final do ano agrícola e ao
usufruto dos proventos do trabalho de todo o ano.
Hoje em dia, as feiras perderam importância
e dimensão, mas ainda se encontra alguma
memória daqueles tempos, por exemplo, no
1º domingo de Julho, na Feira de Santa
Clara-a-Velha, onde até tourada
acontece.
Todos
estes eventos não dispensam, evidentemente,
o colorido da música: o canto à capela
ou acompanhado a concertina, ou o cante ao baldão
acompanhado pela viola campaniça ou ainda
a Banda Filarmónica de Odemira.
O Grupo de Violas Campaniças
pode ser visto e ouvido nas Amoreiras. Grupos
Corais há os mais diversos: desde
o de Sabóia ao da Casa do Povo de S. Luís,
passando pelo de Vila Nova de Milfontes e o das
Vozes Femininas das Amoreiras.
O
rio Mira, outrora a principal via
de comunicação, guarda ainda a memória
desses tempos nos passeios de barco até à
foz e nas Festas de Nossa Senhora da Graça,
no 2º fim de semana de Agosto, em Vila
Nova de Milfontes, ocasião para
assistir à tradicional procissão
dos barcos.
Mais
a sul, em Aljezur, a Feira
da Batata Doce e dos Perceves marca a entrada
do Outono, numa celebração do que
de melhor a gastronomia vicentina tem para oferecer.
Assim, as festas, romarias,
feiras e mercados vão marcando o calendário
e propiciando o cumprimento dos rituais socializantes.
A
uma escala mais reduzida, isto é, envolvendo
somente os parentes e os vizinhos, outros costumes
continuam também a marcar a vida neste território.
São, por exemplo,
•
as matanças de porco, e
“estar de morte de porco” é uma
situação de indisponibilidade absolutamente
incontornável; junta-se a família,
os vizinhos e amigos numa actividade que tem tanto
de económico como de lúdico, cujas
raízes remontam ao tempo em que, não
dispondo de electricidade para ter frigorífico,
as pessoas matavam o porco, na estação
mais fria, para conservar a carne para a alimentação
no resto do ano;
•
e a destilação do medronho;
nos poucos sítios onde ainda se faz; a produção
de aguardente de medronho é também
uma actividade muito social, que dá direito
a convites a visitas de amigos e potenciais clientes
ao local da “estila”, para as provas,
acompanhadas de petiscos e cantorias.
Recentemente, outras tradições mais
urbanas se vieram juntar ao calendário, sendo
o Festival Sudoeste, na Zambujeira
do Mar, o mais emblemático e significativo
de todos eles.
Com
a colaboração de Deolinda
Tavares - ADeLICO
|